Itaúnas, forró e dunas

Era uma estrada de terra mesmo. Como poucas vezes em todo esse tempo pela América do Sul dessa vez eu tive que tomar um ônibus (R$7,50, 1h) para chegar em Itaúnas por uma estrada de terra batida. Me avisaram que não tem banco, só alguns caixas eletrônicos e um mercadinho. Apesar disso tudo vale pena visitar e conhecer os mistérios desse lugar que é uma boa mistura de dunas, forró e tranquilidade.

Meu pai gentilmente me levou de carro da cidade onde ele mora, Guarapari (ES) até Vitoria (1h) onde tomaríamos um ônibus até Conceição da Barra (R$66, 5h30) . Chegando lá encontramos uma cidade meio abandonada (só enche no verão) e uma ótima vista da praça do Cais.
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Achei estranho mas por volta das 17h não tinha mais ônibus para Itaúnas. Tivemos que passar a noite lá mesmo. Os quartos nas pousadas eram caros (de 80 a 100 reais) e o jeito foi passar a noite num camping. O local na verdade estava fechado, mas nos deixaram acampar lá por 10 reais cada um.

No dia seguinte, em Itaúnas, chegamos no dia da feira. A Dona Sônia que me contou. Ela é a dona do camping Canto do Rio, muito simpática. Eu já sabia que ficaríamos aqui. Dica do Felipe, paulista que conheci na Ilha Grande (RJ). Falou que Dona Sônia tem um coração enorme e realmente tem e adora conversar. Me sinto em casa.


Depois de montar a barraca era hora de explorar a cidade e as dunas que ficam do outro lado do rio e beiram o mar. O caminho até lá é uma trilha selvagem. Segue as fotos.

Itaúnas tem uma história que parece até parábola. Nos anos 70 a antiga vila foi soterrada por dunas gigantes que foram expulsando um a um dos seus habitantes que se refugiaram atrás do rio e construíram uma nova vila. O rio foi soterrado e ficou sem saída para o mar durante muitos anos. E a razão está menos numa ira divina do que no modo de vida da nossa sociedade.

Parece que os moradores e as empresas dali decidiram desmatar a mata costeira que protegia a vila dos fortes ventos que vêm do mar. O norte do Espírito Santo hoje se encontra em seca. Sofre com a forte exploração da terra para pasto e plantações de eucalipto. O churrasquinho de domingo e a produção de papel da Fibria (maior produtor de celulose do mundo, antiga Aracruz Celulose) acabam sendo os grandes vilões da falta de água.

Hoje em dia os esforços são grandes para deter o avanço das dunas e ainda se pode ver as ruínas das casas antigas quando o vento as descobre.

Depois da trilha de algumas cervejas fomos a feira e compramos frutas e verduras, café forte da serra do Espírito Santo e uma dúzia de ovos, tudo isso por R$26,50! A política era 3 reais o quilo de qualquer fruta ou legume.

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Fizemos um almoço: Arroz com beterraba e gengibre, omelete de abobrinha alho e tomate e salada de alface com maxixe. Aliás nossas compras nos duraram pelos 3 dias que ficamos por lá.

A noite foi de muita chuva. Um belo teste pra a nossa barraca que aguentou bem. Também sofremos com os mosquitos que picaram a noite toda e arranjaram um jeito de entrar na barraca. O jeito foi trazer a barraca pra debaixo do teto… e em cima do colchão.

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Mas tudo bem, no dia seguinte, Thiago, filho da Dona Sônia, músico forrózeiro trouxe uns amigos para o camping e fizemos um churrasco com direito a sanfona, zabumba e triângulo.

Itaúnas é realmente um lugar bem isolado e com um clima um tanto misterioso. Fora do verão e do festival de forró em julho o lugar fica mais tranquilo e com a chuva decidimos subir mais pela costa. Já tava ansioso pra chegar na Bahia! Próximo destino: Itacaré.

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