Chapada Diamantina: Caminhos molhados rumo ao inexplorado

O corpo humano é ainda uma máquina um tanto desconhecida. Enquanto que todo mundo entende o sistema das necessidades, ninguém ainda entende o das vontades.

Pessoalmente, acho que o meu sistema de vontades é bem estranho. Mesmo viajando de lugar em lugar, não aguento entrar numa rotina, a mais curta que seja. Meu corpo começa a manifestar uma vontade incrível de se mexer, de sentir sensações, de viver, ou de, ao menos, criar memórias. Pois todo mundo se esquece, ou não pensa mais nos momentos corriqueiros da quotidiano.

Certo é que nesse domingo decidi fazer uma trilha do outro lado da colina de Lençóis, subindo por um cânion pouco explorado. Era o que eu esperava. A oportunidade de fazer algo diferente depois de muitos momentos rotineiros acumulados.

Choveu a noite e a manhã toda e às 13 horas saímos de casa. Íamos sozinhos, eu e Katherine fazer uma trilha que não conhecíamos mas encontramos uns conhecidos que estavam indo fazer a mesma trilha. Fomos com eles.

Depois de subir bastante e ver Lençóis ficando cada vez menor e, além, o horizonte de planícies ficar cada vez mais amplo. Depois de cruzar o topo da chapada, uma vegetação de Cerrado, mato e arbustos que fazem a pele coçar. Depois de encarar uma descida bem íngreme até o rio Ribeirão, vimos que o rio estava bem alto por causa das chuvas e que seria difícil cruzá-lo.

mapa fundao2

Assim, o integrante mais adiantado do grupo entrou no rio e chegou a ficar com a água na cintura, quase escorregando. Mais dois entraram e fomos passando as mochilas de um para outro.

Alguém comentou que foi difícil fazer a travessia. Um outro respondeu que a parte mais complicada ainda estava por vir… Realmente, demoramos 6 horas de caminhada quando me haviam dito que seriam 4 no máximo.

1

Entrando no cânion selvagem vimos a vegetação mudar, bem mais úmida e tropical. A caminhada se efetua pelo leito do rio, cruzando-o várias vezes e pulando pelas pedras cheias de musgos verde-escuros escorregadios. Cruzamos devagar. As meninas caindo várias vezes e se agarrando às pedras, lutando contra as águas agitadas e aí, escureceu.

magico

Andamos por uma hora no escuro, por muito tempo com uma lanterna para quatro pessoas. Foi foda. Mas chegamos. Só não deu pra fazer a última escalada. Essa sim seria bem arriscada.

Durante a noite choveu bastante e tudo dentro da barraca ficou molhado e frio. Me esforçava para poder dormir com a bunda molhada. Queria que a manhã chegasse rápido. E chegou. Abrindo a barraca descobri o visual.

fundao

fundao cima

Comemos uns sanduíches e fizemos a escalada da cachoeira para chegar ao nosso destino. A cachoeira do 21.

A escalada era de dar vertigem. Pelas pedras molhadas não havia lugar para erros ou escorregões. De dar medo mesmo, mas nada que não se possa vencer com fé em si e concentração.

fundao cima barraca
A escalada era de dar vertigem. Pelas pedras molhadas não havia lugar para erros ou escorregões.
21
Cachoeira do 21

Na volta nossos companheiros temporais foram indo na frente e depois não os vimos mais. Cruzar de volta o cânion foi difícil e custou alguns tombos. Depois de um dia sem chuvas o rio Ribeirão foi fácil de atravessar mas nos perdemos pela trilha pouco marcada e logo escureceu de novo.

Dessa vez a gente não tinha lanterna e a solução foi correr aproveitando os últimos vestígios de luz e tentar chegar num lugar não muito ruim para passar a noite. Acampamos perto de uma cachoeira. Foi mal terminando de montar a barraca num local precário que choveu mais. Tudo ficou molhado.

Não tínhamos mais comida então jantamos biscoito. Uns goles de cachaça que eu tinha deixado infundir com cascas de laranja, açafrão, canela e rapadura ajudaram bastante para se adormecer estando assim todo molhado e com frio.

No dia seguinte, fez um belo e breve sol de manhã que secou um pouco nossas coisas. Logo, logo fomos já descendo a colina de volta para Lençóis. Chegamos às 10 das manhã da terça-feira. Ufa! De prêmio fizemos um café-da-manhã bem caprichado, com um baseado bem grande e dormimos nas nossas camas secas, com lençóis e travesseiros secos.

Já me sinto recarregado.

GRISANTE

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2 comentários em “Chapada Diamantina: Caminhos molhados rumo ao inexplorado

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